Lombociatalgia é dor que inicia na região lombar e que acompanha o trajeto do nervo ciático. Muitas vezes é acompanhada de formigamento, choques e até perda de força na perna ou no pé. O nervo ciático se origina de raízes nervosas no final da coluna lombar e trafega pela região glútea posterior, coxa, até chegar na perna e no pé. Nem todas as dores lombares são acompanhadas de dor ciática.

 

Figulra ilustrativa do nervo ciático em amarelo.

Desenho ilustrativo do nervo ciático (em amarelo).

As principais causas de compressão do nervo ciático são:

  • Hérnia de disco lombar: deslocamento do disco intervertebral (protrusão ou extrusão do disco) comprime a raiz nervosa no interior da coluna vertebral, fato que gera dor irradiada no território do nervo.

 

  • Estenose do canal lombar: diz respeito ao estreitamento do canal vertebral (canal central, recessos laterais ou neuroforame). A estenose do canal lombar pode ocorrer por causa congênita (indivíduo já nasce com canal estreito) ou adquiridas, relacionadas ao envelhecimento.

estenose de canal somente merece tratamento específico quando está associada a sintomas neurológicos.

Os sintomas neurológicos da estenose de canal variam de acordo com a localização da compressão neural. Estenose foraminal ou do recesso lateral (partes anatômicas da coluna) se assemelham a sintomas de hérnia de disco, enquanto compressão do canal central provoca claudicação neurogênica. A claudicação neurogênica é caracterizada por dor glútea, sensação de peso nas pernas que piora em pé ou andando e, tipicamente, melhora sentado. Com frequência, é relatado fraqueza nas pernas e sensação de formigamento nas plantas dos pés. Indivíduos com estenose do canal central são capazes de andar curtas distâncias, exceto quando inclinados para frente – por exemplo, empurrando carrinho de supermercado ou subindo ladeiras. Nessa posição ocorre suavização da compressão dos nervos no interior da coluna e alívio temporário dos sintomas.

 

  • Espondilolistese: trata-se do escorregamento de uma vértebra sobre aquela imediatamente abaixo. Existem diversas causas para seu aparecimento. No adulto, a mais comum é a espondilolistese degenerativa, que aparece após a 6ª década de vida, devido ao afrouxamento das pequenas articulações entre as vértebras.  É mais comum entre a 4ª e 5ª lombar (L4L5). Nesse tipo de espondilolistese, raramente há progressão do deslizamento para graus maiores, porém parte dos pacientes desenvolverá sintomas de estenose do canal vertebral. As espondilolisteses podem ser classificadas como “estáveis” ou “instáveis”, e essa diferenciação serve como guia para cirurgiões escolherem o tratamento mais adequado para cada caso. Em crianças, outros tipos de espondilolistese podem acontecer, como ístmico ou displásico. Ao contrário dos adultos, a maior preocupação com as crianças é progressão do escorregamento para graus acentuados. Saiba mais sobre a espondilolistese.

 

  • Miscelânea: outras doenças menos frequentes podem comprimir nervos no interior da coluna e provocar dor e sintomas neurológicos. Os principais diagnósticos que devem ser pesquisados e descartados pelo médico são infecções e tumores da coluna. Alguns fatores de risco aumentam sua probabilidade como febre, emagrecimento, antecedente de câncer, desnutrição crônica, uso de drogas injetáveis e dor noturna em repouso.

 

Veja também:

Os atletas e a hérnia de disco lombar

Principais cirurgias da coluna lombar

Exame físico pelo médico especialista em coluna

Faz parte da rotina de exame físico do médico especialista em coluna avaliação da sensibilidade, da motricidade (força de diferentes grupos musculares) e dos reflexos tendinosos profundos dos membros superiores e inferiores. Cada raiz nervosa lombar possui área respectiva de inervação no membro inferior. A essa área específica na pele se dá nome de dermátomo.

 

Fotografia de dermátomos da coluna lombar

Exemplo de dermátomos da coluna lombar.

 

São testado também reflexos tendinosos profundos. Cada reflexo tendinosos ocorre por ação de determinada raiz nervosa. Nas compressões nervosas pode haver diminuição (hiporreflexia) ou ausência (arreflexia) de reflexo. Por outro lado, lesões medulares produzem aumento dos reflexos (hiperreflexia). Para testar reflexos tendinosos, o médico utiliza martelo específico para essa finalidade.

Martelo vermelho para teste ortopédico

Exemplo de martelo usado para teste de reflexos tendinosos profundos.

 

 

 

desenho mostrando como é feito reflexo patelar

Imagem ilustrativa de reflexo patelar.

Por fim, faz parte do exame físico teste de força motora. Nesse exame, são testados os principais grupos musculares, de modo que a força motora é graduada entre zero (ausência completa de contração motora) a cinco (força normal).

Fotografia que mostra médico examinando força motora do quadríceps.

Exemplo de teste de força motora do músculo quadríceps.

Sinal de Lasègue: também conhecida como teste de elevação do membro inferior. Trata-se de teste provocativo, que busca reproduzir sintomas da compressão neural. Quando positivo, provoca dor glútea e/ou irradiada para o membro inferior. É o teste mais comum para diagnóstico de hérnia de disco lombar.

Manobra de elevação do membro inferior para compressão de nervo lombar. Nos casos de compressão nervosa há piora da dor irradiada para o membro inferior.

 

História clínica e exame físico detalhados são fundamentais para correto diagnóstico do problema.

Exames de imagem

Quando há suspeita clínica de compressão nervosa na coluna (hérnia de disco ou estenose do canal cervical), a confirmação diagnóstica é feita por meio de ressonância magnética (RM).  Se houver contraindicação para ressonância magnética (ex. pacientes com marca-passo), pode-se utilizar tomografia computadorizada. Em algumas situações clínicas específicas pode ser indicado eletroneuromiorafia, exame que avalia condução nervosa dos braços e pernas.

Ressonância magnética: exame de escolha para confirmar diagnóstico de hérnia de disco.

Ressonância magnética: exame de escolha para confirmar diagnóstico de hérnia de disco.

Outras doenças (não da coluna) que podem produzir dor semelhante à ciática:

Algumas situações externas à coluna são capazes de produzir sintomas semelhantes à dor ciática: 

  • No quadril, a mais prevalente é a Síndrome do Piriforme. Piriforme é um músculo localizado próximo à nádega, que faz parte do conjunto de músculos responsáveis pela rotação do quadril. O nervo ciático, após emergir da coluna, trafega próximo músculo piriforme, antes de seguir trajeto para coxa e perna. Quando há inflação desse músculo (por diversas causas, como hábitos posturais ou compressão mecânica da posição sentada prolongada), o nervo ciático pode ser comprimido e produzir sintomas semelhantes aos da hérnia de disco lombar.
  • Sacroileíte é outra condição inflamatória das articulações sacroilíacas, que conectam o sacro (final da coluna lombar) à bacia. Quando inflamada, as articulações sacroilíacas podem a gerar dor glútea, porém essa raramente irradia abaixo do joelho (ao contrário das hérnias de disco lombares).
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