Símbolo do google com estetoscópio médico

Sempre que possível, reforço com pacientes a ideia de não tentarem descobrir na internet o resultado dos seus laudos de ressonâncias magnética. O motivo é simples: na maior parte das vezes, eles não entenderão muito os termos médicos encontrados e ficarão ansiosos (se não desesperados) com isso.

Ferramentas de busca, como o Google, oferecem informações tanto confiáveis quanto duvidosas, com aparências semelhantes aos olhos daqueles que ignoram o tema (fato observado em diversas áreas, não exclusivas da Medicina). Essa condição dificulta, sobremaneira, a adequada filtragem e escolha do informe. Além disso, os casos e condutas médicas possuem alta variabilidade. Não há dois casos ou indivíduos idênticos. Sempre haverá diferenças.

Entretanto, se você é do tipo que não dá ouvidos a esses tipos de conselho e segue no uso da pesquisa digital, de alguma forma esse texto poderá lhe ser útil.

Descrevo, a seguir, alguns termos e condições presentes em exames de ressonância da coluna lombar. Naturalmente, há muitos outros. Mas considero um bom começo o conhecimento desses, haja vista serem encontrados frequentemente nos laudos de exames na atualidade.

Assim, veja como o especialista em coluna interpreta  termos frequentes de ressonância magnética da coluna.

Problemas do disco intervertebral

  • Desidratação discal ou discopatia degenerativa: os discos saudáveis possuem grande quantidade de água e colágeno. Por isso, são elásticos e permitem movimento e absorção de carga. Por outro lado, ao longo da vida (início variável entre indivíduos), porém, o disco começa a perder água e ressecar. O médico observa isso por meio do enegrecimento ou redução “sinal” do disco. Essa degeneração associa-se à dor lombar crônica e ao risco aumentado para o surgimento de hérnia de disco.
  • Fissura discal: trata-se de cicatriz permanente na camada externa do disco, sendo mais comum nos níveis mais baixos (L4, L5 e S1). Não representa gravidade. É, porém, relacionada a sintomas de dor lombar.
  • Protrusão discal: termo que descreve o deslocamento de pequena porção da cartilagem do disco intervertebral. Os sintomas dependem tanto do local de ocorrência como da pressão que esse deslocamento pode exercer sobre a raiz nervosa. Com frequência, a protusão toca o saco dural (camada que reveste os nervos no interior da coluna), fato esse, per si, pouco relevante.
  • Extrusão discal: difere da protrusão discal pelo tamanho e pela quantidade de cartilagem deslocada. Teoricamente, é mais sintomática que as protrusões discais. Isso, porém, nem sempre é verdade. Extrusões discais (assim como protrusões) podem ser assintomáticas e não requererem tratamento. Saiba mais sobre hérnia de disco.
  • Nódulo de Schmorl: não é câncer, nem se tornará um. Trata-se de tipo específico de hérnia de disco que, nesse caso, invade o osso da vértebra. Nesse caso, não há compressão de nervo. Geralmente esse nódulo está associado a degeneração precoce do disco. A Cifose de Scheuermann (Dorso Curvo Juvenil) é uma das doenças que ocorrem com esse tipo de condição.

Problemas do alinhamento da coluna

  • Sinistro ou destro escoliose: escoliose é o desvio em “S” da coluna (vista de frente, a coluna deve ser retilínea). O termo sinistro significa “para a esquerda” e destro “para a direita”. Esses dois termos dizem respeito, apenas, ao lado de projeção das curvas, sem qualquer correlação com sua gravidade. Para saber a gravidade das mesmas, o médico deverá medi-las em radiografias apropriadas. Saiba mais sobre escoliose.
  • Espondilolistese: escorregamento de uma vértebra sobre outra, imediatamente abaixo dela. Situação comum em idosos, por afrouxamento articular. Também pode acometer crianças, por pequeno defeito vertebral. A gravidade da espondilolistese depende da idade, da quantidade de escorregamento e dos sintomas associados a ela. Saiba mais sobre espondilolistese.

Problemas da vértebra

  • Hemangioma: tumor benigno por acúmulo de sangue no interior da vértebra, presente em até 12% da população geral. É inofensivo na grande maioria das vezes. Em raras situações pode ter apresentação atípica ou mesmo favorecer aparecimento de fraturas por fragilidade vertebral.
  • Sinal de MODIC: serve para medir – na ressonância – o grau de inflamação e de degeneração das vértebras adjacentes a um disco degenerado. Exemplo: se há desgaste do disco L4L5, podem-se observar alterações características da L4 e de L5. Em geral, o sinal de MODIC não é levado em conta, isoladamente, para a tomada de decisão sobre um caso.
  • Hipertrofia facetária / líquido facetário / osteofitose: todas essas são situações presentes no desgaste da cartilagem articular, presentes na artrose. Essa, por sua vez, não costuma trazer gravidade. É, porém, acompanhada de dor e, infelizmente, não tem cura ou tratamentos específicos.
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